Se sua estrela não brilha, não apague a do Grêmio
Desde o homem primitivo, a idade da pedra, passando por todas aquelas pinturas rupestres, chegando no bronze, avançando até a agricultura, as cidades, os impérios, os contos da história clássica, pulando para a idade média e por todo resto, os gêneros diversos, incluindo o masculino (ou seja, o homem), acordaram e viveram sua vida.
Alheias ou não a questões sobre o sentido da vida e de a quantas anda o universo, dia após dia as pessoas se levantaram e trabalharam duro para deixar a sua gota de vida cair no oceano que constrói a história. Em anos como 1983, em 1995 e 2001 os jogadores do Grêmio trabalharam duro para deixar suas gotas de suor cair no oceano que constrói as glórias do tricolor gaúcho. Bem, talvez seja um oceano de glórias, mas depois de tanto suor derramado quem acabou desidratado foram os torcedores gremistas.
E desidratados estamos, sem títulos. Quem nasceu nos anos 1990 pode vê-los mentalmente como lembranças turvas. Quem nasceu no final da década se fodeu, não lembra de nada. É complicado levar três linhas para explicar porque Sasha, do Internacional, comemorou um gol na conquista do hexacampeonato gaúcho dançando uma valsa com a bandeirinha de escanteio, mas é isso. É ridículo estar 15 anos sem ganhar títulos. Alguém já te perguntou retoricamente se estava com “cara de palhaço”? O Grêmio está, literalmente.
Nós como bons torcedores, sem hesitarmos sequer, vamos sedentos de vitória aplaudir o Grêmio onde ele estiver. E o que recebemos em troca? Ramiro e Bressan. Dois jogadores de atuações absurdas. Que saudade de usar absurdo como um adjetivo para algo bom. Se os dois acham que este jejum de conquistas torna a camisa menos pesada, saibam que é precisamente o oposto disso: essa camisa pesa toneladas. Quilos e mais quilos acumulados ao longo dos anos.
Se os dois estão com tanta dificuldade de enxergar deveriam procurar o departamento médico do clube para serem encaminhados ao oftalmologista mais próximo, ou psiquiatra, quem sabe? Lá do campo suponho que seja mais fácil enxergar o banco de reservas do que da superior leste. Pois é no campo que Ramiro e Bressan estão, onde podem facilmente ver Róger. Nessa distância, como um técnico, um professor ou um mestre, não sei. Entretanto, a torcida gremista o vê com um brilho nostálgico. Um brilho de saudosismo, um reflexo dos bons tempos. O torcedor bate o olho em Róger Machado, uma prataria empoeirada, e lembra das vitórias. Uma velha glória. E então tudo pesa mais.
Talvez os gominhos na barriga e as coxas bem definidas dos jogadores não deixem ninguém acreditar em sedentarismo, mas os pés 41 de Sócrates e seus minutos de jogo na sombra não impediram ninguém de ter fé. O sedentarismo dos gremistas não está nos pés ou nas pernas, está nos bíceps, está nesses braços que há mais de uma década não levantam uma taça! Depois de uma rodada em que o sistema de Roger começa a apresentar suas grandes rachaduras, despencamos na tabela. As mãos estão tão mal acostumadas com títulos que talvez ao se aproximar de um elas tenham ficado suadas e assim deixamos escapar novamente, escorregando para a famigerada quinta posição.
Não preciso esperar pela segunda-feira, na própria noite de domingo já caem os tweets da Zero Hora na timeline, com análises cuja profundidade não ouso julgar porque não têm um parágrafo sobre decepção, algo constante no cotidiano gremista. Mas quem encontro nela? Sim, Ramiro e Bressan. Sugiro aos dois que abram uma empresa se estão tão desesperados com a falência de alguma coisa. Se os dois não sentem o peso dessa camisa, saibam que nós, os torcedores, nunca deixamos de sentir. Se vocês não levantam dia após dia e dão todo o suor de vocês pelo clube, nós acordamos todas as manhãs com fome de título. Toda vez que vestimos o manto gremista temos esperança, nós suamos a camisa. Se é falta de inspiração, talvez a estrela de Everaldo os faça lembrar do futebol de 1970. História não falta, um bom elenco também não, Roger está à disposição. Se vocês não sentem o peso da camisa, não desonrem quem veste e, sobretudo, sente.

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