Quase quatro horas da tarde e meu coração fervendo em drama para chegar ao estádio. Algum goleiro certamente deu um chutão no que acreditava ser uma bola e lançou a Arena longe, ela caiu lá no Humaitá sem a menor estrutura e deixaram assim mesmo. Já nos portões, um problema com o ingresso me fez esperar na fila da Central de Atendimento. Se meu coração fervia em drama, o imortal tricolor fritava o time paulista com óleo de ansiedade. Quantos casi gols eu ouvi!
A
repercussão da torcida não foi por acaso. Finalmente, o Grêmio
apresentou um futebol de quem quer ser campeão, de quem tem gana pra
ganhar! Não precisei chegar ao fim do primeiro tempo para estar
convencida da qualidade gremista, mas bastaram alguns minutos do segundo
para ter certeza. Num confronto tão radiante quanto o sol que alumiava a
Arena, alguns jogadores estavam especialmente iluminados. Negueba
persuadiu o torcedor sobre a escolha de Roger e invejou Bolaños por seu
entrosamento. O Douglas questionável que eu conhecia saiu fortemente
aplaudido pela torcida em gratidão ao seu gol.
Na
sombra, vi algumas desilusões. Primeiramente, no placar. 1X0 não dá
esperança e só faz sofrer. O sofrimento não foi tão grande, já que o
imortal dominou a partida e só não goleou porque a bola não quis entrar.
Ouve-se a reverberação do plástico, torcedores pedindo calma com este
resultado?! Sei que as cadeiras da Arena são muito confortáveis, mas
espero que não tenham esquecido a cultura do futebol lá no Olímpico,
porque precisamos dela para não deixar o futebol morrer e, acreditem,
ele morre quando a modernidade te obriga a se curvar para elencos
medianos, táticas nada salgadas e jogos em que o Bom Senso não entra em
campo.
Já a 32 de Pedro Rocha daria asco no seu homônimo richarlysônico,
com tantas chances perdidas, as poucas críticas que poderiam ser feitas
ao time sulista podem repousar em seus ombros. Após o descontentamento,
rebatizado de Pedro Brocha, sobra a dica para o mesmo: não se esqueça que joga em um time, não queira ser herói quando não pode.
Eu,
como torcedora apaixonada, sempre apoiarei meu time. Por um desgosto de
fazer parte de uma torcida que faz paródia de uma canção do Roupa Nova dedicarei
algumas linhas ao tricolor paulista, com clubismo, é claro. Por alguns
momentos senti que Lugano teve vontade de jogar, mas só teve a vontade,
disso não passou. Com a quebra do jejum de vitórias contra o São Paulo
na Arena, provavelmente o próximo gladiador a cair será El Patón.
Inegavelmente, neste domingo Doga jogou bem e agradou como o resto do time, mas cativou só hoje. Com suas performances problemáticas, pelo menos neste fim de tarde ele esteve completamente louvável.
Seguir
o Grêmio onde o Grêmio estiver não significa deixar de cornetar para
aplaudir. A fome de gols e de títulos não pode cegar os gremistas. Todos
sabem que jogar contra o São Paulo sempre foi uma pedreira, para ambos
tricolores, então que a peleja não tenha sido em vão! O elenco
certamente pôde absorver o sentimento e a crítica das arquibancadas,
este domingo foi um confronto terapêutico. Se Portugal foi
campeão, o Grêmio também consegue. Agora que o clube encostou na vice
liderança, “tropeços” como no embate contra o Sport ou o sufoco contra o
Figueirense não podem se repetir, os apagões não podem mais acontecer.
Que o imortal siga brilhante!
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