Outro dia conversava com um amigo sobre futebol e na ocasião entramos no assunto das torcidas organizadas. Por muito tempo eu compartilhava da opinião dele de que o melhor para o futebol seria o fim das torcidas organizadas dentro dos estádios brasileiros. Hoje admito ter vergonha de pensar daquela maneira.
Facilmente percebo que sem a torcida organizada o espetáculo das arquibancadas não seria nada do que ele é hoje. No começo do ano fui a um jogo do campeonato paulista. Mogi Mirim x Palmeiras, na cidade de Mogi Mirim, interior do estado. Por conta de um episódio trágico na rodada passada a torcida organizada palmeirense havia sido proibida de acompanhar o jogo no estádio ~ pelo menos de forma organizada ~
Sem a presença da Mancha, que vai a onde o time está em todos os jogos(!), gritos de guerra e cantos da torcida se resumiam a tristes retratos do que alguma vez já foram. No segundo tempo os membros da Mancha que haviam entrado de forma "à paisana" no estádio se reuniram e começaram a fazer a festa das arquibancadas, catando, pulando e incentivando o time. Essa experiência me fez refletir, o problema das arquibancadas não são as torcidas organizadas mas sim os vândalos que se escondem nelas.
Na Alemanha a Muralha Amarela é um ótimo exemplo de como a torcida organizada pode dar certo. Além do espetáculo maravilhoso nas arquibancadas o incentivo que uma torcida apaixonada pelo time pode dar é imensurável. Eu como torcedor fiquei arrepiado só de poder acompanhar e incentivar o meu time do coração. Fico imaginando o quão emocionante deve ser para quem está sendo homenageado e incentivado naqueles gramados.
Não me venha dizer que o problema dos estádios são as torcidas organizadas. O problema dos estádios são as pessoas, sempre foram, não apenas nos estádios. O que acontece lá é apenas um reflexo e uma extrapolação do que ocorre numa sociedade doente.
O futebol moderno deveria ser chamado de futebol modorrento. Tentando tirar todo o espetáculo, a magia, beleza, provocações sadias e rivalidades que ocorrem dentro daqueles recintos de tapetes verdejantes e audiência vibrante. Neste blog o futebol moderno não terá vez. Valorizaremos o futebol raiz, futebol moleque, aquele que Romário, Renato Gaúcho, Ronaldinho nos ensinaram a aproveitar. Para falar a verdade, compartilho de um sentimento que em síntese seria mais ou menos como um ódio eterno ao futebol moderno e a única coisa que desejo é que Deus perdoe essas pessoas ruins que ousam sentar nas arquibancadas e tomar o seu chá da tarde enquanto assistem a uma partida de futebol

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