4 de julho de 2016

Uma vitória rural


    No final de uma manhã ensolarada a CBF nos condena ao GreNal. E não acho que um GreNal seja problema, mas um jogo de futebol no final da manhã é pra quebrar perna de artilheiro. Mesmo com tanto ódio e escárnio da CBF talvez hoje colorados tenham olhado para o céu e pensado que não havia uma imagem mais insuportável que aquela: um sol de meio dia retumbante e um céu azul como o imortal. Domingo difícil para os colorados, o céu foi pouco.

    Eu ousaria dizer que esse mesmo sol de meio dia condenou o Internacional à derrota, como condenaria qualquer um fazendo esforço físico em tal horário, mas não ouso. Hoje não. Ousadia e alegria não é comigo. Hoje o carrasco foi Douglas. Este é um jogador que abusa dos conflitos dos crentes com o divino, inspirando o ateísmo nos torcedores e resolvendo com atuações milagrosas. Seriam elas louváveis?

    Como hoje não estou propensa para a ousadia, nem arrisco dizer que o momento dessa vitória foi mais importante que a vitória em si. Isso jamais, vencer GreNal é prioridade, normalmente. Porém, não posso deixar de ressaltar o momento em que esses três pontos chegam e nos deixam um pouco mais perto de furar a fila e desbancar o Palmeiras por esse título. Meu coração medroso de gremista já começa a se lembrar de como chegamos perto da glória e ela acabou apenas brilhando no horizonte, distante de nós. Afasto tais pensamentos prontamente! Hoje é um novo dia para vencer.
  

  Relembro a canção “Nuvem Cigana” do Clube da Esquina:

    Eu danço com você o que você dançar
    Se você deixar o coração bater sem medo

    A valsa de quinze anos que Sasha quis dançar não vai rolar, informam Edilson, sua brilhante 33 e a bandeirinha de escanteio em suas mãos. Bom, como é que o colorado ia entender do coração gremista? Que ninguém se preocupe, nunca criamos expectativas, só estamos trabalhando para apontar os erros.
  
    Conforme escrevo sinto o peso de minhas palavras e, assim como quando falo, sei que elas não são ditas em vão. Gosto de me emocionar com o futebol e perceber que mesmo elevada por esses sentimentos ainda tenho meus pés no chão. Mas sabem quem não dá uma foda por tudo isso? Argel Fucks. Como estou quase recatada por falta de atrevimento também não vou me prolongar com Argel e sua artilharia rural ineficiente, deixo tudo na conta novamente do menino Douglas,
dono de um trator cujo ronco do motor ecoou pela madrugada porto-alegrense.

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