![]() |
| Foto: Félix Zucco/Agência RBS |
Nessa quinta-feira, senti que provavelmente o nosso hino acabou por nos amaldiçoar. Somos bons torcedores, mas eu vou hesitar em aplaudir o Grêmio e você também devia. É quando os aplausos ecoam mais que as cornetas que o time fica deste jeito. As partidas contra times que não estão muito bem e, especialmente, essa contra o Santa Cruz são as nossas finais de mundiais que não vieram mais, são as nossas finais de Libertadores não conquistadas, são os tropeços que não podemos dar.
Com
a sina de aplaudir sempre, cavamos túmulos quando criticamos quem
aponta os erros do time ao nosso lado, quando não trazemos para a
realidade quem diz "tá bem, tá bom" já no segundo tempo com um placar
zerado. Como se escreve o epitáfio de alguém que se contenta com
empates? Conquistamos dois pontos em seis que deveriam estar na nossa
conta. Fui buscar três na Arena, em casa, com uma torcida fervendo, como
posso voltar para casa com apenas um no bolso?
Falando em torcida, os dois milagrosos bandeirões na Geral acusavam a falha do teatro de cultura de estádio
montado no morno setor Leste. As várias bandeiras à disposição do
torcedor que deviam ajudar a empurrar o time, durante boa parte do jogo,
estavam descansadas entre as divisórias. A morte violenta não virá com
brilho de Grafite, não haverá um tiro de misericórdia, morreremos
lentamente nas Arenas.
Meu
dever é criticar o time nesse momento de adversidade, mas nessa noite
vi coisas piores na torcida. Chamar a bandeirinha de "vagabunda" não te
faz melhor que a pipoca pisoteada no concreto. Há quem
desnecessariamente se disponha a argumentar que são coisas do "calor do
jogo", mas quando o calor passou, o indivíduo que proferiu tal ofensa
continuou seu discurso misógino dizendo que "futebol é coisa de homem,
não tinha que ter mulher".
Em
outro "calor" a torcida se aventurou a cantar que "o Falcão é gay", o
que não chega a ser o menor dos problemas dos gremistas porque não é um problema (e se ele realmente fosse homossexual, não seria problema para ninguém).
O preconceito nos estádios provoca uma tristeza tão profunda, que
nenhuma canção de nenhuma torcida pode soar mais alto do que o silêncio
de quem consente com a discriminação.
Ainda
sobre o jogo, se algum dia te disserem para ligar para Henrique Almeida
em caso de emergência, saiba que ele vai te deixar na mão, você vai se
dar mal. O Grêmio teve urgências na linha ofensiva e Almeida só deu mais
decepções. A propósito, em uma entrevista depois do jogo, Roger
declarou que "[...] Vaias que começaram aos 20 minutos, talvez o torcedor tenha vindo condicionado a achar que estaria 3 a 0". Francamente, deveríamos esperar menos
do que isso? O torcedor está rouco, quase sem voz, e não é de tanto
gritar gol. As expectativas? Ser campeão. Taça na mão. A realidade?
Depender do resultado de jogos de outros times pra não ver a coisa toda
se desfazer no ar. Por favor Grêmio, de novo não, não decepcione mais.

0 comentários:
Postar um comentário