Depois de perder alguma final ou semifinal, o coração ficou ferido. Você se banha no descrédito e falta com fé ao seu time. Em algum ponto do caminho, percebe que nem tudo se perdeu e que no fundo nunca havia deixado de acreditar. Sua confiança começa a voltar. Quando minha crença ressurgiu em mim, pedi para minha irmã uma camisa de presente e ganhei um modelo retrô. Foi assim que ela chegou a mim.
Essa camisa me acompanhou na eliminação contra o Juventude
pelo gauchão, na vitória contra o Toluca na arena, nos empates nos GREnais, na
classificação gloriosa contra o Palmeiras. Minha segunda pele esteve comigo na
alegria e na tristeza, nos momentos em que a felicidade já não cabia mais no
peito e quando o desespero mutilou meu espírito. Mas essa não é a história dessa camisa.
Não é só o que veste minha alma azul celeste, ela é pesada, sofrida. É uma história de dores e de glórias. Não são só três cores, é a combinação que dá ritmo para a batida dos nossos corações.
Começa assim. Caminhando pela rua em silêncio, embora sem muita tranquilidade, vejo alguém do outro lado da rua com as mesmas cores, o mesmo escudo. Vejo esse alguém que me vê de volta, nos reconhecemos. Não sabemos nomes, mas nos conhecemos intimamente. As batalhas que ganhamos e que perdemos foram as mesmas. Nunca vi essa pessoa na minha vida, mas estivemos juntas esse tempo todo.
Não é só o que veste minha alma azul celeste, ela é pesada, sofrida. É uma história de dores e de glórias. Não são só três cores, é a combinação que dá ritmo para a batida dos nossos corações.
Começa assim. Caminhando pela rua em silêncio, embora sem muita tranquilidade, vejo alguém do outro lado da rua com as mesmas cores, o mesmo escudo. Vejo esse alguém que me vê de volta, nos reconhecemos. Não sabemos nomes, mas nos conhecemos intimamente. As batalhas que ganhamos e que perdemos foram as mesmas. Nunca vi essa pessoa na minha vida, mas estivemos juntas esse tempo todo.
Continuando a caminhada, vejo outra e outro que sentem, amam
e vivem como eu. Nada que acreditamos ser nosso importa, somos um. Percebo que essas pessoas se reconhecem como eu as reconheço e
que existem outras pelo caminho. É final de tarde de uma quarta-feira qualquer,
começa a invasão silenciosa. Vamos tomando as ruas, os passos que antes
pareciam sem rumo agora indicam porque viemos.
As taças que conquistamos e as taças que perdemos, os amigos
que fizemos, as horas que choramos. É o manto que vai dominando as avenidas em
uníssono. É o pensamento que nos une e nos faz muito mais que irmãos sob esse
teto azul. É ela que nos leva hipnotizados até o estádio numa dança magnética, nesse desejo alucinado que faz o sangue correr... Esqueça garganta e
cordas vocais, é um grito que vem de um lugar profundo do coração com a voz do
nosso ser: queremos a copa! Essa é a história dessa camisa.
Por Clarice Sena
Por Clarice Sena

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