4 de dezembro de 2016

Pacto

Fiz um pacto de sangue com os restos de um estádio. Sobre o concreto ainda pintado de azul dei meu sangue como gesto de fidelidade: aquele seria o meu único amor.
Nessa altura do campeonato não existe time tão bonito ou que jogue tão bem quanto o Grêmio, os dias de realismo acabaram. Já não procuro mais esquema tático nem me preocupo com Ramiro. As expectativas mudaram, as cartas na mesa mudaram.
Nesta ânsia por algo maior, sem saber o que quero, penso que quero tudo. Quero internacional rebaixado, entrar no g6, ganhar esta copa e o mundo. E talvez ainda não fosse suficiente. A ansiedade e a ambição de quem tem não só sede de vitória e fome de título, mas de quem está desidratada, subnutrida, vivendo o caos.
Os anos passaram e eu não os passei sentada na frente da TV esperando, foi de pé, foi indo ao estádio, foi nesse alento até perder a voz. Não foi até cansar, porque mesmo esgotados continuamos empurrando. Não foi até a esperança acabar, porque mesmo quando tudo se perdeu levantamos e lutamos. Olho para o céu e me pergunto se o que quero é demais, é exagero? E se eu tudo tivesse talvez ainda não me contentasse. O Sol se esconde, as nuvens desaparecem e então só resta essa imensidão de azul. Se não é exagero ter o céu inteiro da minha cor, os nossos sonhos são possíveis. Vamos Grêmio, tu és copeiro.

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