Fiz um pacto de sangue com os restos de um estádio. Sobre o concreto
ainda pintado de azul dei meu sangue como gesto de fidelidade: aquele
seria o meu único amor.
Nessa
altura do campeonato não existe time tão bonito ou que jogue tão bem
quanto o Grêmio, os dias de realismo acabaram. Já não procuro mais
esquema tático nem me preocupo com Ramiro. As expectativas mudaram, as
cartas na mesa mudaram.
Nesta ânsia por algo maior, sem saber o que
quero, penso que quero tudo. Quero internacional rebaixado, entrar no
g6, ganhar esta copa e o mundo. E talvez ainda não fosse suficiente. A
ansiedade e a ambição de quem tem não só sede de vitória e fome de
título, mas de quem está desidratada, subnutrida, vivendo o caos.
Os
anos passaram e eu não os passei sentada na frente da TV esperando, foi
de pé, foi indo ao estádio, foi nesse alento até perder a voz. Não foi
até cansar, porque mesmo esgotados continuamos empurrando. Não foi até a
esperança acabar, porque mesmo quando tudo se perdeu levantamos e
lutamos. Olho para o céu e me pergunto se o que quero é demais, é
exagero? E se eu tudo tivesse talvez ainda não me contentasse. O Sol se
esconde, as nuvens desaparecem e então só resta essa imensidão de azul.
Se não é exagero ter o céu inteiro da minha cor, os nossos sonhos são
possíveis. Vamos Grêmio, tu és copeiro.
4 de dezembro de 2016
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